segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Orgulhosamente Sós

Aproveito este título que estava nos meus rascunhos já desde Agosto, baseado numa conhecida música de Moonspell (não sendo essa a origem da expressão, penso que é mais fácil associá-la à Alma Mater que propriamente ao seu autor original) para voltar a escrever neste espaço. Coincidência ou não incide precisamente sobre o dia de S. Valentim, novamente...

Este será, talvez, o dia mais hipócrita da história do mundo, de tal forma em que supostamente hoje temos que espalhar sentimentos fraternos por todas as pessoas e mais algumas só porque um miguito qualquer se lembrou de o fazer há uns séculos atrás. Não que eu tenha alguma coisa contra o romantismo, bem pelo contrário, no entanto não consigo deixar de olhar para este dia como uma enorme mentira. Não ao conceito do dia em si, mas mais naquilo que a nossa sociedade o tornou. 

Para facilitar a explicação, e mesmo sabendo que estou a ser redutor, vamos dividir a sociedade em 2 grupos: comprometidos e encalhados. Não serão necessárias introduções a estes dois conceitos pois são demais evidentes. Vamos então analisar objectivamente o comportamento destes 2 grupos:

- Os comprometidos, como apanágio, costumam aproveitar o dia para ir jantar a um qualquer sítio mais chique seguido, geralmente, de um qualquer filme no cinema.

- Já os encalhados dividem-se em duas sub-categorias: os que ficam em casa e vivem o dia como se fosse absolutamente normal, ou os que sentem o toque do dia em questão, juntam-se em matilhas e vão caçar alguma fêmea que se sinta fragilizada por estar sozinha neste dia.

Existem obviamente variantes, mas, como disse, o objectivo é manter o mais simples possível. À partida nada está errado em nenhum dos cenários. É legítimo, senão mesmo cortês, que se realizem estas actividades, afinal hoje é um dia especial pensarão muitos. E, de facto, é mesmo, é um dia especial tal como todos os outros 364 dias do ano. No entanto, poucas são as pessoas que mostram esse afecto durante todo esse tempo e dão real valor ao que têm. Mas este não é um problema individual, é mesmo social (como disse parágrafos antes, bom conceito mas execução que deixa a desejar). Não há no mundo inteiro alguém que não pense em não jantar com a cara metade. Até podem ter passado o último mês e meio a discutir dia sim, dia sim e continuar a fazê-lo nos meses seguintes, mas naquele dia em particular todos os problemas se esquecem e estão novamente imensamente apaixonados outra vez. Podem perguntar-se se é legítimo? E responder-vos-ei que sim. Podem também perguntar se é errado? E a minha resposta será que não, não é errado. No entanto, é previsível, rotineiro, logo e por definição chato... o que, pelo menos para mim é muito pior. 

Novamente, o espaçamento entre posts é enorme e não se coaduna de forma alguma com algo que se quereria sério e com postagens regulares.  Como tal, e não prometendo, vou tentar pelo menos postar uma vez de duas em duas semanas, também porque o bichinho da escrita tem-me atacado ultimamente.

See Ya ;)