Medo. Sentimento que recorrentemente nos persegue e atormenta quando nos deparamos com algo que possua uma hipótese, por mais diminuta que seja, de nos magoar. Este temor pode ser interpretado como um temor racional ou absolutamente aleatório, cada um com as suas próprias especificidades. O primeiro destes pode surgir a qualquer altura com qualquer pessoa quando o nosso bem-estar físico ou emocional está em jogo. É o medo de morrer quando somos perseguidos ou quando nos apontam uma arma, é o mesmo medo de deitar tudo a perder se pensamos querer dar um passo em frente e não soubermos se esse passo for maior que a perna. O segundo tipo não é mais que um pavor absolutamente irracional de algo: insectos, palhaços, alturas. Poucas são as pessoas que não padecem de ambas as fobias, mas, uns melhor que outros, conseguem ultrapassar as primeiras sem dificuldade aparente.
Eu vou ser sincero, não passo de um cobarde no que encarar medos diz respeito, cometo erros de palmatória em larga escala e sou incapaz de ver algo que muito provavelmente até está escancarado à minha frente, e talvez daí venha um bocado esta preferência pela escrita, mas é em dias como este após uma tarde inteira a ver documentários sobre um dia que mudou a humanidade como este que uma pessoa, mesmo segura de ter sido fiel a si própria se pergunta se realmente está a mesmo a levar a sua água ao moínho.
Medos racionais afectam todas as pessoas no mundo, mas como disse, uns fazem-no melhor que outros. Não deixa, no entanto de ser curioso que os que mais se deixam afectar são, regra geral, as pessoas ditas inteligentes , que calculam todo e qualquer risco antes de fazer a sua jogada e que se estes medos são assim superados, os medos aleatórios são independentes de tudo, e de muito mais difícil resolução.
Uma campanha de roupa tem o apelativo slogan: Smart listens to the head, stupid listens to the heart! se esse for o caso (e não estou a assumir que seja smart) , sinto inveja daqueles que não são tão meticulosos como eu, que a cada dia que passa vejo que nos momentos em que sou parvo, sou-o quase sempre pelas razões erradas. Simplesmente não me ponham é num lugar alto sem qualquer protecção, que aí o pânico é tanto que juro que preferia mil vezes ter uma arma apontada à minha cabeça.