quarta-feira, 17 de julho de 2013

Para o ano (não) há mais !

Não deixa de ser estranha esta sensação. À vista desarmada teria sido um dia como tantos outros: véspera de avaliação e consequente necessidade de estudar desenfreadamente, o clássico frenesim de final de ano lectivo e a perspectiva de um pouco do merecido descanso. Mas desta vez o sabor é diferente: é o último, de sempre! O fim das intermináveis noites de estudo, o fim das inúmeras pausas na praça a beber finos que invariavelmente acabava por fazer, o fim da procrastinação como forma de vida e do cumprimento quase exclusivo dos serviços mínimos.

Acima de tudo representa o fim um ciclo, de mais uma etapa. O fim dos mais caóticos, destrutivos e simultaneamente 5 melhores anos da minha vida. Das constantes bebedeiras no Moelas e Bigorna, dos fins de noite intermináveis no NL, dos alguidares de minis no Couraça nos dias mais soft ou das desconcertantes manhãs de ressaca após as noites mais agressivas, sempre na companhia dos amigos, não só os de sempre como também aqueles que a ocasião proporcionava. Não deixa de ser peculiar, com o passar dos dias nada parecia realmente mudar, mas na realidade ao olhar para trás poucas foram as coisas que se mantiveram iguais por mais depressa que o tempo avançasse. Diz quem sabe que são os melhores da vida de uma pessoa e devo confessar que as minhas expectativas iniciais cedo foram ultrapassadas e efectivamente apenas quem cá chega e incorpora o espírito da academia conimbricense na sua plenitude consegue realmente compreender o porquê.

Diz quem sabe igualmente que os amigos da faculdade são para a vida. Neste aspecto e por experiência própria o digo: efectivamente são-no. Na maioria das vezes representam a única constante no meio do caos.  Partilham connosco desde as noites de farra até ao desespero das épocas dos exames. Dizem-nos a verdade, nua e crua, como muitas vezes precisamos de a ouvir mas invariavelmente ficam do nosso lado quando não lhes damos ouvidos. Principalmente quando não lhes damos ouvidos. Dada a familiaridade criada por muitas vezes, e confesso já ter perdido conta do quantas, esquece-mo-nos da disparidade das nossas origens e que, no final do ano, cada um volta para sua casa para junto da sua real família. O pensamento final é sempre o velho clássico "para o ano há mais".

Não deixa de ser estranha a sensação, a de que nalguns dos casos para o ano já não há mais. De que os fedelhos acabaram por crescer e de que a vida boémia invariavelmente chegará ao seu termo. Se estudasse mais se calhar podia agora estar a concluir mais esta etapa junto da maioria daqueles que se tornaram membros da minha família conimbricense, mas o meu amor etanol mais vezes do que menos costuma levar a melhor sobre as responsabilidades.

Agora, na despedida, certamente não fui o primeiro e com igual certeza não serei o último a dizê-lo, mas mesmo eu, que sempre mantive uma enorme aversão ao crescimento com o absurdo receio que a previsibilidade me levasse a melhor admito o enorme prazer que foi ter crescido convosco. Sem vocês não teria sido a mesma coisa. E, não querendo ser injusto para os que cá ficam (com que no final de contas para o ano há mais), mesmo ainda me faltando mais um ano neste já longo percurso, não deixa de ser um pouco assustador sentir que efectivamente atingi a meta, porque não deixa de me perseguir a sensação de que sem vocês também não será a mesma coisa.